''Podemos e devemos produzir e vender tudo o que os nossos consumidores desejam?".
Semenik (1995, p. 3), afirma que a função básica de um gerente consiste em conhecer e satisfazer as necessidades do consumidor
As ações decorrentes têm colocado o consumidor como um rei inquestionável, centro de todas as atenções Agora ele sempre tem razão, e a empresa é culpada ou incompetente quando não consegue satisfazê-lo.
O ponto básico dos que advogam uma mudança de paradigma está na evidência de que, em alguns casos, a satisfação do consumidor é contrária aos interesses da sociedade a médio e a longo prazos.
Alguns autores conhecidos, como Kotler (1998, p. 24), têm afirmado que as empresas devem assumir a responsabilidade pelo meio ambiente, atendendo a três critérios quanto aos seus produtos: satisfação do consumidor, interesse público e lucro da empresa. A novidade aqui está no interesse público.
A série ISO 14.000 trata das questões relativas à proteção ambiental e pode ser encarada como o resultado dessa corrente de preocupação. Como se vê, o assunto vem ganhando terreno. Algumas empresas, utilizando o conceito de posicionamento de Ries e Trout (1993), têm veiculado anúncios sobre sua preocupação em preservar o meio ambiente e as pessoas.
A pergunta a se responder seria: "Como meu produto/serviço entra na cadeia de relacionamentos do meu consumidor com o público e com o meio ambiente? Como seu uso pode afetar outras pessoas?".
Acreditamos que as ciências da Administração e do Marketing encontram se exatamente nesse limiar: as consequências das formas de produção e o uso de produtos e serviços levaram a qualidade de vida a uma tal degradação que os profissionais começam a perceber que não se podem utilizar velhos paradigmas.
Nesse novo enfoque, a opinião pública passa a ser um elemento tão importante quanto os fornecedores e concorrentes. Muito mais do que cuidar de jardins ou manter uma creche, seria responsabilidade de uma empresa ter competência no que faz e produzir valores consoantes com as preocupações sociais da maioria. Fica claro que, nesse enfoque, o consumidor nem sempre tem razão e nem sempre pode ser atendido nas suas expectativas.
Se a meta do Marketing futuro é criar e manter relacionamentos, não vemos melhor alternativa que as pessoas da linha de frente educarem seus consumidores, explicando-lhes os limites e as possibilidades dos produtos e serviços.

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